The Pilates Fitness

Efeito Do Pilates Sobre A Flexibilidade Do Tronco E As Medidas Ultrassonográficas Dos Músculos Abdominais

23/03/2016 16:18:00
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INTRODUÇÃO
O Pilates trata-se de uma filosofia de treinamento do corpo e mente
que realiza o trabalho muscular em baixa velocidade1. Foi criado por
Joseph Pilates em 1918 e tem como objetivo conseguir um controle
preciso do corpo2 através de uma variedade de exercícios executados
em solo ou em aparelhos próprios¹.
Indicado para qualquer faixa etária, este método contém as modificações
e adaptações adequadas para os diferentes indivíduos e
patologias, respeitando as características e limitações de cada pessoa.
O método engloba exercícios nos quais são utilizados seis princípios:
concentração, controle, precisão, fluidez do movimento, respiração e
contração do centro de força3. football news
A powerhouse (centro de força) constitui-se pelos músculos abdominais
(reto abdominal, oblíquo interno e externo, transverso do
abdome), glúteos, músculos do períneo e paravertebrais lombares,
que são responsáveis pela estabilização estática e dinâmica do corpo4-
6 e, segundo o método, estes músculos devem ser contraídos
durante a expiração, garantindo a manutenção da postura correta,
com menor gasto energético aos movimentos7,8 e diminuição do
risco de lesões9.
Entre os benefícios deste método podem ser destacados principalmente
a melhora da flexibilidade, o aumento da força muscular10 e,
possivelmente, do trofismo (espessura) muscular, uma vez que existe
relação positiva entre a força e hipertrofia11. Sua prática vem ficando a
cada dia mais popular, embora as evidências científicas sobre o método
ainda sejam escassas.
Para avaliação do trofismo muscular, alguns métodos podem ser
aplicados, tais como o a ressonância magnética, a tomografia computadorizada
ou até cálculos de perímetros musculares juntamente
com dobras cutâneas12-14. No entanto, um exame que se destaca na
avaliação do trofismo é o Ultrassom, que é uma técnica de obtenção
de imagens em tempo real de baixo custo, além de não ser invasivo e
não possuir propriedades ionizantes como os Raios X15.
Além do trofismo, a flexibilidade parece ter uma boa resposta
em pessoas praticantes de Pilates. O equipamento que se sobressai
em pesquisas para a avaliação da flexibilidade é o flexímetro, que a
partir de um sistema pendular gravitacional, oferece precisão e praticidade
nas mensurações dos movimentos angulares, por permitir ser
fixado no corpo, além de oferecer maior confiabilidade nas leituras
das medidas, uma vez que a indicação do ângulo é produzida por
efeito da gravidade, minimizando os erros de interpretação do eixo
longitudinal correspondente16.
Diante da expansão do número de adeptos a este método ao longo
dos anos, a proposta do presente estudo consiste em avaliar o efeito
do método Pilates no trofismo do grupamento abdominal e na flexibilidade
do tronco comparado à aplicação de uma técnica tradicional
de fortalecimento dos músculos abdominais e alongamentos estáticos
em mulheres saudáveis.
 
MÉTODOS
Os procedimentos executados foram aprovados pelo Comitê de
Ética em Pesquisa (CAAE: 18352013.3.0000.5208) da Instituição. Todos
os voluntários assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE), de acordo com a Resolução 466/12.
Trata-se de um estudo de intervenção, randomizado e realizado
com mulheres jovens, eutróficas, sedentárias e saudáveis.
A amostra foi composta por mulheres entre 18 e 25 anos, foram
excluídas àquelas com o IMC fora dos limites de normalidade (maior
que 24,9kg/m² e menor que 19,5kg/m²)17, praticantes de atividades
físicas nos últimos três meses antes das coletas e portadores de distúrbios
neurológicos, articulares ou musculoesqueléticos que pudessem
dificultar a execução dos exercícios, ou déficit cognitivo grave, que
inviabilizasse o entendimento dos procedimentos da pesquisa.
As voluntárias foram divididas aleatoriamente em dois grupos:
no grupo experimental que realizou o método Pilates (grupo GP) e
no grupo controle, que foi submetido a uma técnica tradicional de
fortalecimento do abdome e de alongamentos estáticos (grupo GC).
A amostra foi calculada através do Programa Epi-Info 6.04, considerando
uma proporção de resposta ao tratamento, no grupo GP, de
80%, e no grupo GC, de 10%, conforme estudo desenvolvido18, com
um nível de significância de 5% e poder do teste de 80%, obtendo-se
sete indivíduos para cada grupo.
Para a distribuição das voluntárias nos grupos, foi utilizada a técnica
de randomização em blocos de sete indivíduos, para garantir que
os dois grupos apresentassem o mesmo número de participantes19.
Inicialmente, foi gerada uma tabela de números aleatórios utilizando
o programa Epi-Info 6.0 por um estatístico não envolvido no trabalho.
A coleta de dados foi realizada através de um formulário de registro
de informações pessoais e história da prática de exercícios físicos. Em
seguida, as participantes foram submetidas a um exame ultrassonográfico
(para determinação da espessura dos músculos: oblíquo interno
e externo, transverso do abdome e reto do abdome), uma avaliação
da amplitude de movimento da coluna vertebral em flexão, extensão,
rotação e flexão lateral através de testes com o flexímetro.
A avaliação ultrassonográfica foi realizada através do aparelho HD7,
da marca Phillips, com transdutores convexos (C5-2), por um avaliador
devidamente treinado.
A mensuração da espessura dos músculos abdominais foi feita
através da distância em milímetros das fáscias superficial e profunda
dos músculos transverso abdominal, oblíquo interno, oblíquo externo
e reto do abdome, do lado esquerdo da voluntária, repetindo-se três
vezes para ser feita a média e sempre ao final da expiração para ser
controlada a influência da respiração. A mensuração foi realizada com a
participante em decúbito dorsal, com os membros inferiores estendidos
e os braços ao longo do corpo.
As imagens dos músculos oblíquo externo, oblíquo interno e
transverso do abdome foram obtidas com o transdutor posicionado.
 
DISCUSSÃO
Em relação à ausência de respostas dos músculos transverso do
abdome e oblíquos interno e externo aos exercícios do Pilates, uma
revisão sistemática24 realizada com pessoas saudáveis mostra que não
há evidências suficientes de que o método incremente a espessura da
musculatura abdominal. Outros autores25-27 sugerem que os exercícios
de Pilates tem como foco trabalhar a estabilidade da coluna e recuperar
o comando motor proprioceptivo dos músculos, em especial o transverso
do abdome, principal estabilizador abdominal da coluna, assim
como o oblíquo interno e oblíquo externo, que atuam como auxiliares
nesta função28. Dessa forma, através dos exercícios de Pilates, não se
enfoca o aumento de trofismo desses músculos além das dimensões
consideradas normais para sexo, idade e altura do indivíduo, mas sim,
a melhora do comando motor.
Entretanto, resultados de aumento significativo de espessura dos
músculos posturais só podem ser observados em indivíduos que apresentem
previamente alguma redução do trofismo, assim como ocorre
em indivíduos com lombalgia e hérnia de disco, onde é observada uma
diminuição da espessura da musculatura estabilizadora da coluna29,30.
Assim, tanto o presente estudo quanto a maioria das pesquisas
envolvendo o Pilates, foram desenvolvidos com indivíduos saudáveis,
que não apresentam uma redução significativa desse trofismo antes
da intervenção.
A constatação dessa diferença em relação à espessura muscular
pode ser melhor evidenciada em estado de contração31. Em pesquisa
com mulheres de 23 a 37 anos, observaram que, após 16 sessões, houve
o aumento do tamanho dos músculos transverso abdominal e oblíquo
interno observado pela ultrassonografia somente durante a contração
voluntária do músculo, no momento da execução dos exercícios de
Pilates. Na avaliação em repouso, os mesmos autores não encontraram
diferenças após a intervenção, conforme foi verificado no presente
estudo, que realizou dez sessões. Isso se deve ao fato que, durante o
exercício, houve uma melhor ativação do músculo após a finalização
das sessões de Pilates, resultando num melhor comando motor e, consequentemente,
maior recrutamento do músculo durante a contração.
Já com relação ao reto abdominal, o presente estudo observou
um efeito de hipertrofia, mesmo em repouso, no grupo Pilates. Essa
resposta se deve ao fato que este músculo tem a função de mobilidade,
apresentando mudanças mais significativas frente à carga imposta.
Estudo que avaliou os músculos abdominais por ressonância magnética
antes e após 72 sessões de Pilates em mulheres saudáveis e sedentárias.
Demonstrou um aumento na espessura de todos esses músculos,
entretanto, houve um percentual de ganho significativo no músculo
reto abdominal (21%)1.
Em relação aos resultados de flexibilidade do grupo Pilates, a maioria
dos exercícios utilizados para este grupo, nesta pesquisa, envolveu
manutenção de postura com estabilização da coluna, associados a
movimento de tronco e MMII. Para se ter ganhos de flexibilidade, outros
pesquisadores22 sugerem que o músculo a ser alongado deve ser
colocado uma situação de estiramento máximo e mantê-lo por, pelo
menos, 30 segundos. O aumento observado nas médias das rotações
e da inclinação, pode ter se dado ao fato que, após as sessões de Pilates,
houve um aumento da segurança na realização deste movimento
em decorrência da estabilidade obtida pela coluna, permitindo que
haja uma maior amplitude nos pequenos movimentos intervertebrais
durante a realização do teste.
Em relação ao uso do ultrassom para avaliação do trofismo abdominal,
há possibilidade de que mudanças ocorridas na estrutura ou
na forma dos músculos não tenham sido visualizadas através deste
aparelho. Talvez, o uso da Ressonância Magnética (RM), por exemplo,
poderia ter detectado um maior ganho ou mudança muscular, visto
que, a RM, no diagnóstico por imagem, é a que tem a melhor definição
e contraste entre as estruturas de partes moles. Neste contexto, em
uma pesquisa com mulheres saudáveis submetidas á sessões de Pilates,
conseguiu detectar aumento significativo do trofismo abdominal após
as intervenções através da RM, o que corrobora com este pensamento1.
Outro fator que pode ter influenciado na semelhança de resposta
do GP e GC após as intervenções em relação ao trofismo muscular
foi o hemicorpo avaliado. Pois, o lado dominante parece ter maiores
diferenças de ganho de espessura da musculatura abdominal ipsilateral,
em comparação com o lado não-dominante1. Devido à todas
as medidas do presente estudo terem sido feitas do lado esquerdo, e
todas as voluntárias serem destras, este fator pode ter sido fundamental
nos resultados encontrados nesta pesquisa, podendo ter ocorrido uma
subestimação dos valores reais de ganho de trofismo da musculatura
abdominal das voluntárias.
 
CONCLUSÃO
Algumas limitações do estudo devem ser consideradas, como a
mensuração do trofismo abdominal ter sido realizada apenas de um
lado. Devido à quantidade de medidas a serem avaliadas, não foi viável
incluir os dois lados. Há também a questão da mensuração ter sido
realizada apenas no repouso.
Era esperado que houvesse mudanças estruturais no músculo, portanto,
não seria necessário avaliar o músculo em contração. Por fim,
o número de sessões pode ter sido insuficiente para que ocorressem
mudanças no trofismo abdominal e na flexibilidade do tronco. Sugere-
-se que, em estudos futuros, estas questões sejam levadas em consideração,
a fim de que resultados mais significativos sejam encontrados.
Desta forma, destaca-se a importância de investir em pesquisas
envolvendo o Pilates, principalmente com a utilização de métodos de
imagem mais acurados, e com um maior tempo de intervenção, para
que se possa avaliar o efeito do método.

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