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Cardiopatia, disfunção erétil e a relação com Pilates

23/03/2016 16:07:55
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Resumo

A disfunção erétil (DE) é considerada um problema de saúde pública que atinge atualmente um número elevado de portadores de doenças cardiovasculares, comprometendo a qualidade de vida destes indivíduos. Muitos fatores, incluindo as funções fisiológicas já esperadas do processo de envelhecimento, as disfunções induzidas por medicamentos e as alterações vasculares associadas aos fatores de risco (hipertensão, diabetes, dislipidemia, tabagismo) podem influenciar a vida sexual. O método Pilates é um programa de condicionamento físico que vem ganhando popularidade e aceitação dos profissionais da área da saúde. Devido seus benefícios na melhorar a aptidão cardiorrespiratória de portadores de doença cardiovascular e em sua maioria realizados em conjunto com uma contração dos músculos do assoalho pélvico, acredita-se que seus métodos possam produzir benefícios na função sexual de pacientes com doenças cardiovasculares.

INTRODUÇÃO

As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são as principais causas de óbitos no mundo e têm gerado elevado número de mortes prematuras e perda de qualidade de vida, com alto grau de limitação nas atividades de trabalho e de lazer. Estas foram responsáveis por 36 milhões - ou 63,0% - de óbitos no mundo em 2008, com destaque para as doenças do aparelho circulatório. No Brasil, como nos outros países, as DCNT constituem o problema de saúde de maior magnitude, sendo responsáveis por 72,0% das causas de óbitos e 31,3% destes óbitos são atribuídos as doenças do aparelho circulatório (DAC)1.

Dentre as DCNT, podemos destacar a disfunção erétil (DE), definida como a incapacidade/ habilidade de completar ou manter uma ereção peniana adequada para a penetração vaginal 2-4, a fim de permitir uma relação sexual satisfatória 5, que está intimamente relacionada com a saúde cardiovascular e metabólica 6,7.

A DE apresenta alta prevalência na população masculina8, de acordo com a National Institutes of Healt, afeta cerca de 10 a 20 milhões de homens nos Estados Unidos e em todo mundo mais de 100 milhões 2. No Brasil, pesquisa realizada com 2.862 indivíduos brasileiros maiores de 18 anos provenientes de todas as regiões demonstrou que 45,1% apresentaram disfunção erétil (31,2% grau mínimo, 12,2% moderado e 1,7% completa) 9.

A disfunção erétil está associada aos fatores de risco cardiovasculares e a doença cardiovascular preexistente, configurando-se como um marcador precoce de DVC10. Neste contexto, os problemas cardíacos estão entre os fatores que mais atingem o funcionamento sexual11. Estima-se que após o diagnóstico de doença cardiovascular ou procedimento intervencionista apenas 25% dos pacientes retornam à vida sexual normal, destes, metade retorna com algum grau de redução em frequência e/ou intensidade 12. 

Embora as equipes de saúde habitualmente não discutam sobre a sexualidade, por considerarem o tema íntimo e privado, grande parte dos pacientes após avento cardiovascular permanecem com interesse em manter a vida sexual ativa13, sendo reconhecida a importância da saúde sexual para a longevidade das relações afetivas e como parte da saúde global e bem- estar destes indivíduos14. Diante disso, após evento cardiovascular, as orientações sobre a atividade sexual, são tão relevantes quanto aquelas que se relacionam com o retorno ao trabalho e ao engajamento aos programas de exercícios 15.

O risco de evento cardiovascular durante a atividade sexual é significativamente inferior naqueles indivíduos cardiopatas que realizam atividade física regular, demonstrando que quanto maior for a regularidade e o nível de atividade física do indivíduo e, presumivelmente, do seu condicionamento aeróbico, menor será a probabilidade que a relação sexual seja um fator predisponente para infarto agudo do miocárdio 15-17. Ao mesmo tempo, evidências bem estabelecidas demonstram os benefícios do exercício aeróbico na função endotelial, aptidão e função cardiorrespiratória, capacidade funcional, qualidade de vida, dentre outros, de portadores de doenças cardiovasculares. Ao mesmo tempo têm demonstrado melhora relevante na função sexual nesta população 18-20.

O método Pilates (the Pilates FisioFitness) é considerado uma excelente forma de se exercitar fisicamente tendo como vantagem a utilização de exercícios com poucas repetições evitando a exaustão e tornando as aulas diversificadas 21. Sabe-se que as formas convencionais de exercício físico parecem ser pouco atraentes para proporcionar a necessária aderência aos tratamentos e aquisição de benefícios a longo prazo, o que justifica a busca por novas estratégias 22-25.

O Pilates atualmente é uma modalidade que vem sendo disseminada para o tratamento das DCNT21 e pode ser uma alternativa eficaz no tratamento da disfunção erétil, pois, além do condicionamento físico e benefício cardiovascular 25,26, pode promover fortalecimento dos músculos do períneo 27, os quais atuam no mecanismo de ereção 28.

Disfunção erétil e doença cardiovascular 

O sistema de ereção está intimamente ligado ao sistema cardiovascular e em condições normais ocorre quando há incremento da atividade parassimpática resultando no relaxamento do tecido erétil, permitindo a dilatação ativa das artérias do pênis, arteríolas, sinusoides e, finalmente, aumentando o influxo arterial e compressão passiva do pênis 2.

A função erétil depende do suprimento de sangue das artérias pudenda interna, sendo que o aumento substancial nestas artérias resulta em incremento das pressões penianas, que são comparadas com níveis arteriais sistêmicos 2,3.

As doenças cardiovasculares e DE apresentam fatores de risco comuns (hipertensão, diabetes, dislipidemia, tabagismo). Nas doenças cardiovasculares ocorre processo patológico responsável por afetar o funcionamento dos sistemas vascular e venoso, influenciando negativamente a função erétil 2. 

Estudo realizado com 40 pacientes cardiopatas demonstrou a associação entre disfunção erétil e a presença de doença cardiovascular, bem como uma relação entre a gravidade da DE e do número de artérias coronárias acometidas pela aterosclerose 2.

No Massachusetts Male Aging Study (MMAS) a DE estava presente em 60% dos homens com níveis elevados de colesterol e em cerca de 90% deles o estudo doppler detectou alterações artérias penianas. Do ponto de vista clínico, sinais evidentes de aterosclerose estiveram associados em aproximadamente 40% dos casos de DE em homens com idade igual ou superior a 50 anos 2.

Em adendo, a alteração do desempenho sexual muitas vezes está associada à intolerância aos esforços por angina e a fatores psicológicos, dentre eles, o medo de complicações cardíacas durante o ato sexual. Isso faz com que um número considerável de cardiopatas não retorne à atividade sexual após a ocorrência da doença, influenciando diretamente na qualidade de vida 29.

A atividade física habitual em níveis elevados é capaz de diminuir o risco de infarto agudo do miocárdio e morte súbita durante a relação sexual16. Ao mesmo tempo possui forte correlação entre níveis elevados de atividade física e melhor aptidão física com menor risco de desenvolvimento disfunção erétil 18.

Exercício e função erétil

Em pacientes cardiopatas, ensaio clínico randomizado desenvolvido por Belardinelli et al. (2005), com portadores de insuficiência cardíaca congestiva, verificaram que após 12 semanas de treinamento aeróbico, o grupo de pacientes submetido ao programa de exercício físico obtiveram melhora em três domínios da função sexual (função erétil, desejo e satisfação geral), quando comparados ao grupo-controle (sem exercício), levando a uma melhora na disfunção erétil, decorrente da prática de exercício 18.

Kalka et al. (2009) verificaram em estudo, com amostra composta de 98 pacientes submetidos a seis meses de programa de reabilitação cardíaca, que após o período de intervenção estes obtiveram melhora nas categorias de disfunção erétil, migrando para categorias de menor severidade 30.

A base fisiológica do exercício físico no tratamento da disfunção erétil está relacionada com as alterações bioquímicas, neurais e hormonais nas paredes dos vasos sanguíneos que induzem ao relaxamento dos vasos a curto e longo prazo31. 
A atividade física regular é uma boa estratégia não farmacológica no combate à disfunção erétil, pois controla a formação de radicais livres e aumenta a biodisponibilidade de óxido nítrico, já que o estresse oxidativo pode causar danos celulares irreversíveis e morte celular colaborando para a disfunção erétil32.
O shear stress induzido pelo exercício físico é um poderoso estímulo para a liberação de fatores vasorrelaxantes produzidos pelo endotélio vascular, como o óxido nítrico (NO). O exercício físico parece ter efeito protetor na integridade do endotélio, aumentando a produção de NO em vasos com endotélio íntegro, e restaurando a disfunção endotelial 33. 

Diante do exposto, o exercício físico regular se destaca como estratégia a ser considerada no tratamento da disfunção sexual, dentre outras razões por aprimorar o metabolismo oxidativo considerado o principal mediador da função sexual 34.

Método Pilates 

O método Pilates é caracterizado por um programa de condicionamento do corpo-mente, que vem ganhando popularidade e aceitação. Batizado com o nome de seu fundador Joseph Humbertus Pilates, este programa de exercícios incorpora o uso de aparatos especiais e equipamentos com movimentos que permitem, dentre outros aspectos, a melhora da flexibilidade, força, coordenação 35, circulação sanguínea, condicionamento físico, amplitude articular e alinhamento postural 36-38.

Os aparelhos dotados de um mecanismo de molas e elásticos colocam uma maior resistência ou facilitam a execução de movimentos e simulam situações rotineiras da atividade física. Executado com diferentes graus de dificuldade, favorece a evolução do indivíduo praticante na medida em que se aperfeiçoa, visando alcançar a posição de máximo esforço e eficiência do exercício 37.


O método pilates vem demonstrando impacto positivo na composição corporal 39-41, respostas cardiovasculares da frequência cardíaca 42 e qualidade de vida 43-47.

Em ensaio clínico randomizado desenvolvido por Pestana et al. (2012), com 78 idosos saudáveis, foi observado após 20 semanas de intervenção que o grupo submetido a intervenção através do método Pilates obteve melhora significativa nos índices de massa corporal e circunferência abdominal quando comparado ao grupo-controle submetido á exercícios resistidos 48.

Recente estudo realizado no Brasil demonstra o recente interesse de pesquisadores na busca de evidências do método Pilates aplicado em cardiopatas 25. Em estudo randomizado realizado em pacientes com ICC, Guimarães et al. (2012) verificaram que após 16 semanas de intervenção substituindo os exercícios resistidos tradicionais dos programas de reabilitação cardíaca pelo método Pilates houve melhora significativa no tempo de exercício, semelhante ao grupo-controle (programa de reabilitação convencional). Ressaltaram ainda que o grupo intervenção apresentou melhora significativa da ventilação, VO2 pico, e oxigenação comparado ao grupo-controle.

Fator relevante a ser considerado é que, devido à maioria dos exercícios do método serem realizados em conjunto com a contração dos músculos do assoalho pélvico, este pode promover melhoras significativas na força destes músculos, além de benefícios no sistema cardiovascular, sendo estes benefícios susceptíveis a persistirem ao longo do tempo 27.

Fortalecimento de períneo e função erétil

A maioria das artérias, veias e nervos entram e deixam o pênis através do períneo. Pela grande quantidade de estruturas que passam por este músculo que apresenta alta sensibilidade, ao mesmo tempo, a estimulação deste músculo pode levar ao aumento da circulação peniana 49.

As fibras anteriores do músculo bulbo esponjoso, que circundam a parte mais proximal do corpo do pênis, também auxiliam a ereção, aumentando a pressão sobre o tecido erétil na raiz do pênis. Simultaneamente, comprimem a veia dorsal profunda do pênis, impedindo a drenagem venosa dos espaços cavernosos e ajudando a promover o aumento e o tugor do pênis 50.

Os músculos isquiocavernosos circundam os ramos da raiz do pênis. Eles forçam o sangue através dos espaços cavernosos nos ramos para as partes mais distais dos corpos cavernosos, o que aumenta o turgor (distensão firme) do pênis durante a ereção 4,50. Esta contração também comprime as tributárias da veia dorsal profunda do pênis, assim restringindo a saída de sangue venoso do pênis e ajudando a manter a ereção50.

Devido a sua função durante a ereção, e suas atividades durante a micção e ejaculação, os músculos perineais geralmente são mais desenvolvidos em homens do que em mulheres 50, merecendo forte atenção.

O papel do músculo perineal no mecanismo de ereção ainda está aberto para debates. No entanto, estudo realizado por Kampen (2003) em indivíduos com DE após quatro meses de tratamento fisioterapêutico utilizando exercícios de contração perineal, biofeedback e eletroestimulação perineana, observou que todos os indivíduos do sexo masculino apresentaram recuperação 4. 

CONCLUSÃO

O método Pilates, considerado uma modalidade alternativa de atividade física, se mostra eficaz na melhora da aptidão cardiorrespiratória de cardiopatas. Ao mesmo tempo, é evidente sua forte correlação com o fortalecimento dos músculos perineais, algo relevante para promoção e/ou manutenção de uma ereção peniana satisfatória nesta população. No entanto, há uma carência de estudos que investiguem a influência da contração perineal, associada ao método Pilates na manutenção da função erétil destes pacientes. 

Outro fator que deve ser levado em consideração é o grande número de pacientes cardiopatas que vem sendo encaminhados aos Studios de Pilates com indicação de médicos cardiologistas, com intuito de promover maior aderência a programas de atividade física. Por conta disso, é de fundamental importância o conhecimento sobre a existência da disfunção sexual em portadores de doenças cardiovasculares para auxílio no tratamento adequado, promovendo melhora da qualidade de vida destes indivíduos.

 

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